"à procura, procura do vento. Porque a minha vontade tem o tamanho de uma lei da terra. Porque a minha força determina a passagem do tempo. Eu quero. Eu sou capaz de lançar um grito para dentro de mim, que arranca árvores pelas raízes, que explode veias em todos os corpos, que trespassa o mundo. Eu sou capaz de correr atrás desse grito, à sua velocidade, contra tudo o que se lança para deter-me, contra tudo o que se levanta no meu caminho, contra mim próprio. Eu quero. Eu sou capaz de expulsar o sol da minha pele, de vencê-lo mais uma vez e sempre.

Porque a minha vontade me regenera, faz-me nascer, renascer.
Porque a minha força é imortal."

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A Pão e Água

A Pão e Água, é assim que vamos ficar nos próximos tempos (se é que já não estamos...).
Assusta-me pensar como vão estar os hospitais no próximo ano, com mais casos sociais e com pessoas sem dinheiro para comprar medicamentos básicos.
Entristece-me, no primeiro ano em que recebo ordenado, não haver dinheirinho para férias, nem para prendas de Natal. Mas tenho consciência de que ainda sou uma privilegiada neste país (até quando?).

Se ao menos tudo isto fizesse com que nós nos uníssemos como pessoas que somos, se ao menos tudo isto nos devolvesse o contacto com quem realmente gostamos, se ao menos tudo isto fosse uma tempestade para a seguir ser uma bonança, se ao menos tudo isto nos tornasse menos supérfluos e mais em busca do essencial... Era bom... Mas passar por uma crise económica/financeira quando existe também uma crise valores põe-me apreensiva.
Vamos ver pessoas capazes de feitos extraordinários, vamos descobrir exemplos de vida, de altruísmo e vamos ver também o pior do ser humano, a luta pela sobrevivência nua e crua, onde impera a lei do mais forte, tal com Darwin apregoava.

Aqui estaremos todos, prontos para o que aí vem, com a consciência de que não será fácil, mas com uma consciência maior de que queremos muito prosperar, como pessoas, como país e como seres humanos.
Haja esperança, nas pessoas que ainda se emocionam, nas pessoas que não querem deixar morrer os valores e a dignidade, nas pessoas que não sentem que é "pecado" ter dinheiro para os pequenos prazeres da vida.

Haja esperança neste sol que só nós temos, neste mar azul, sem fim.
Haja esperança neste povo .

Haja esperança num futuro melhor, mesmo que tenhamos de cortar no pão e beber "água del cano".

De regresso ao estudo...

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

...

E ela ouviu e voltou a ouvir. Com a boca seca, sem conseguir proferir uma única palavra.
E pensou, no meio da (des)ilusão, como foi possível que aquela pessoa a tenha educado.
Depois, refletiu melhor. E concluiu, que talvez o seu esqueleto psíquico, ao contrário do que seria de esperar, tenha atingido a maturidade sem grande influência da parte dele. Presente, mas ausente.
E talvez por isso, ela, felizmente, se tenha transformado numa pessoa bem diferente, e melhor.

....

A inevitabilidade da vida ganha sentido quando aprendemos com ela.

...

Inspirou... Expirou... E foi estudar Taquiarritmias.
À noite, estará sentada no sofá, a comer amendoins e a beber uma cerveja. Futebol, tudo se resolve com um bom jogo de futebol, nem que seja apenas por 90 minutos.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Há dias...

Há dias em que o sol é mais brilhante... Em que somos um navegador, capaz de grandes feitos além-mar...A energia vital ocupa-se do nosso corpo, apoderando-se dele, e sentimo-nos inabaláveis, invencíveis...
Há dias em que o orgulho é grande, dias em que nos apetece fazer tudo ao mesmo tempo, dizer tudo ao mesmo tempo, porque há muito para dizer, muito para fazer...
Há dias em que não são precisas palavras e o cosmos une-se a nosso favor...
Há dias assim...

E há dias em que sonhamos tão forte, tão energicamente, que nos parece impossível que não sejam assim...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Gelado de Verão



Foste a razão da viagem de umas férias para fugir
Foste a razão da viagem de umas férias para fugir
Encontrei-te na paragem, no descer e no subir

Dei o teu nome a toda a gente e a todos te quis chamar

Dei o teu nome a toda a gente e a todos te quis chamar
Dei a tua voz ao vento e ao movimento o teu andar

Foste a frescura da minha sede

Andei contigo na minha mão
Foste a frescura da minha sede
Andei contigo na minha mão
Pintei a boca de rosa e verde
Foste o gelado do meu verão

Foste a sombra do momento, tentação a experimentar

Foste a sombra do momento, tentação a experimentar
Foste a luz do salvamento do regresso ao meu olhar

Tu foste em todas as formas um país que eu nunca vi

Tu foste em todas as formas um país que eu nunca vi
Velho sonho dos meus olhos e eu só te vi a ti

Foste a frescura da minha sede

Andei contigo na minha mão
Foste a frescura da minha sede
Andei contigo na minha mão
Pintei a boca de rosa e verde
Foste o gelado do meu verão

Teu corpo minha toalha, foste o Sol da minha cor

Teu corpo minha toalha, foste o Sol da minha cor
Foste o mar da minha praia, tu foste o meu bronzeador

Foste a frescura da minha sede

Andei contigo na minha mão
Foste a frescura da minha sede
Andei contigo na minha mão
Pintei a boca de rosa e verde
Foste o gelado do meu verão


António Variações



terça-feira, 5 de julho de 2011

Obrigada.

Obrigada a todos os que sempre acreditaram!
Obrigada a todos os que não torceram o nariz!
Obrigada a todos os que senti que sempre se alegraram comigo!
Obrigada a todos os que não disseram "Estás louca, mais 6 anos?"
Obrigada a todos os que não disseram "Não seria melhor acabar Biologia e só depois...?"
Obrigada a todos os que não disseram cobras e lagartos de Lisboa!
Obrigada a todos os que me acolheram nesta cidade que também já é minha, e linda, e cheia de luz.
Obrigada a todos os que sempre me esperaram com um abraço, na minha cidade de Coimbra, linda e cheia de fado.
Obrigada a todos os que me fizeram aprender.
Obrigada a todos os que me ouviram nas frustrações e nos erros.

Obrigada às amigas de Biologia, com quem partilhei momentos únicos!
Obrigada aos amigos de Debrecen, com quem partilhei momentos únicos!
Obrigada, a vocês, amigas de Medicina, com quem partilhei momentos únicos, e quase tudo!

Obrigada às amigas do Gang da Mama, pelas palavras certas sempre nos momentos certos e por me obrigarem a relativizar.

A Ti, que desde sempre me tens amparado e feito com que nunca caia.
A Ti, pela tua perseverança, e por me tornares mais forte, e quase igual a ti na perseverança, ou na Loucura! Sem isso não estaria aqui.
A Vós, pelo Amor incondicional!

E já passaram 6 anos...
Que venham mais 6, e felizes!
Para todos nós!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A noite incendeia a paixão. E contudo é a manhã a garantir o Amor.

                                                                           Júlio Machado Vaz

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Dias de estremecer por dentro

Há dias em que sentimos estremecer por dentro. Por pessoas que entram nas nossas vidas e que nem conhecemos.
Ontem ouvi a velha senhora de 90 anos dizer-me que não tinha ninguém, e que estava cansada, e que só queria que Deus a levasse. Com tamanha lucidez, com tamanha sensatez. Sem sentimentalismos baratos. Quando lhe disse que ia mudar para uma enfermaria melhor, com muito menos gente, mais tranquila, disse-me: "Não preciso de estar sem gente, sozinha já eu estou todos os dias". Quando lhe descobrimos a tuberculose disseminada, apenas lhe disse que tinha um bichinho no sangue, que tinha de ir para outro sítio melhor, e começar antibiótico. Não lhe pude dizer o que era, tendo consciência do que significa a palavra "tuberculose" para uma senhora de 90 anos e sabendo que os infecciologistas estão mais aptos do que eu para responder às suas necessidades. De qualquer forma, antes de ir embora ainda me disse: "não me minta, doutora". E eu não menti... apenas estremeci por dentro, por saber que muito possivelmente, se sobreviver a isto tudo, vai para um lar, uma vez que os familiares afastados com quem vive já não podem (ou não querem) tê-la mais em casa, estremeci por dentro ao saber que todo o tratamento vai durar pelo menos 6 meses e não sei se vai aguentar ficar no hospital mais tempo do que estava à espera, e estremeci por dentro por saber que ela tem razão, que ela merece que não a chateiem mais e que não a piquem mais, que aos 90 anos tem uma lucidez que muito pouca gente tem, e que merecia ter tido filhos que estivessem agora ao pé dela a segurar-lhe a mão, e a dizer para não se preocupar.

E à noite, estremeci por dentro...aquela reportagem da TVI. A mãe de Rui Pedro. E o absurdo de tudo aquilo. E o absurdo em que se pode tornar a nossa vida, de repente. A injustiça. O grito mudo mas permanente. A dor excruciante. O arrepio. A injustiça. A injustiça. Uma vida desperdiçada. Várias vidas fantasma, em suspenso.